"Sem antes conhecer a si mesmo, torna-se impossível compreender os outros..."
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O medo psicológico é sempre acumulativo, pois se trata de um ensinamento, um processo cognitivo, como outro qualquer...
Nosso cérebro foi programado pela natureza para aprender qualquer coisa,
assim aprender é simples e fácil, difícil mesmo é largar o aprendizado
que já não nos serve, a exemplo dos vícios, das manias, das paranóias.
Claro que criança não nasce com medo, especialmente com as causas, os indutores que suscitam esse medo. Uma forma de suscitar medo, o medo do escuro, por exemplo, possui em seu lastro, toda uma história criada pelos adultos, com quesitos que dizem respeito aos adultos, situações tiradas de suas crenças pessoais, e estes são os mitos, as tradições de todos os tempos, que conceituaram a escuridão como um atributo de coisa ruim.
É como a história da mãe que, não desejando que o filho a desobedeça, se vale da falta de visibilidade que existe na escuridão da noite, e o induz a crer que dali, de dentro das trevas, sairá um Bicho Papão para pegá-lo, caso não se comporte. A partir desse ponto, a simples menção do escuro, já condiciona aquela criança a ter medo, não do escuro, mas das coisas que podem surgir de dentro dele, para lhe fazer mal.
Podemos imaginar uma criança, sua mente, como uma folha de papel em branco, onde qualquer roteiro pode ser escrito. Quando se analisa um comportamento infantil, que tende a acompanhá-la até a fase adulta, a despeito do seu temperamento natural, que a faz sentir-se atraída por algumas coisas e resistir a outras, o que conta mesmo são os estados emocionais que irá extrair do meio onde vive e tomar como guia para a construção de sua personalidade.
E todo esse acervo de estados psicossomáticos já faz parte do mundo, e tudo do que irão precisar para incorporar cada um deles como traço de comportamento, é a identificação com aqueles que melhor se adaptem aos seus temperamentos.
Mas, em muitos casos, a influência da mesologia é tão forte que as próprias idiossincrasias do jovem são anuladas, destruídas, pelo extraordinário poder dos costumes e tradições. Um fanático, qualquer que seja, or exemplo, não tem o fanatismo como atributo do temperamento, uma vez que na natureza não existe tal coisa. Um comportamento desse tipo é uma cria exclusiva de uma mesologia patológica.
Tais práticas, comportamentos, manias, vícios, e outros caracteres, já foram incorporados ao cotidiano dos adultos, aperfeiçoados ao longo de incontáveis gerações, e o que resta a criança agora é absorver tudo isso, sem direito algum à escolha. Podemos escolher por onde caminhar, jamais a aprender a engatinhar, ou enxergar, ou sentir cheiro.
Um dos maiores equívocos dos adultos é julgar a criança a partir de si mesmo. Ele sequer é capaz de compreender que o estado emocional de uma criança ainda está em fase de desenvolvimento, ainda carece de muitas experiências e memórias para, talvez, se equiparar à sua. Mas, a criança já sabe imitar, e isso ela não aprende, é um atributo de berço, faz parte do seu instinto ou temperamento primário. Por isso mesmo poderá tornar-se um mestre da imitação, trabalhar à perfeição essa qualidade que lhe é inata. Desse modo, será capaz de copiar dos adultos a maioria das suas manias, sejam elas inúteis ou úteis.
Quando se tem medo, a primeira reação é tentar evitar a causa desse medo. E a fuga da causa do medo se torna mais importante que o medo em si. Mas, do mesmo modo que a estrutura de um prédio se apóia em seus alicerces, a fuga apenas fortalece esse medo, e esse mesmo processo acaba por se tornar a raiz, a base, da sua existência.
Podemos evitar as causas do medo, mas ele permanecerá em nós amparado pelo meio de fuga. E a fuga se torna uma proteção parcial, ilusória, enquanto o medo em si, continuará a existir, intocado, como se fosse uma coisa sagrada que devesse ser preservada, até do nosso olhar.
Claro que criança não nasce com medo, especialmente com as causas, os indutores que suscitam esse medo. Uma forma de suscitar medo, o medo do escuro, por exemplo, possui em seu lastro, toda uma história criada pelos adultos, com quesitos que dizem respeito aos adultos, situações tiradas de suas crenças pessoais, e estes são os mitos, as tradições de todos os tempos, que conceituaram a escuridão como um atributo de coisa ruim.
É como a história da mãe que, não desejando que o filho a desobedeça, se vale da falta de visibilidade que existe na escuridão da noite, e o induz a crer que dali, de dentro das trevas, sairá um Bicho Papão para pegá-lo, caso não se comporte. A partir desse ponto, a simples menção do escuro, já condiciona aquela criança a ter medo, não do escuro, mas das coisas que podem surgir de dentro dele, para lhe fazer mal.
Podemos imaginar uma criança, sua mente, como uma folha de papel em branco, onde qualquer roteiro pode ser escrito. Quando se analisa um comportamento infantil, que tende a acompanhá-la até a fase adulta, a despeito do seu temperamento natural, que a faz sentir-se atraída por algumas coisas e resistir a outras, o que conta mesmo são os estados emocionais que irá extrair do meio onde vive e tomar como guia para a construção de sua personalidade.
E todo esse acervo de estados psicossomáticos já faz parte do mundo, e tudo do que irão precisar para incorporar cada um deles como traço de comportamento, é a identificação com aqueles que melhor se adaptem aos seus temperamentos.
Mas, em muitos casos, a influência da mesologia é tão forte que as próprias idiossincrasias do jovem são anuladas, destruídas, pelo extraordinário poder dos costumes e tradições. Um fanático, qualquer que seja, or exemplo, não tem o fanatismo como atributo do temperamento, uma vez que na natureza não existe tal coisa. Um comportamento desse tipo é uma cria exclusiva de uma mesologia patológica.
Tais práticas, comportamentos, manias, vícios, e outros caracteres, já foram incorporados ao cotidiano dos adultos, aperfeiçoados ao longo de incontáveis gerações, e o que resta a criança agora é absorver tudo isso, sem direito algum à escolha. Podemos escolher por onde caminhar, jamais a aprender a engatinhar, ou enxergar, ou sentir cheiro.
Um dos maiores equívocos dos adultos é julgar a criança a partir de si mesmo. Ele sequer é capaz de compreender que o estado emocional de uma criança ainda está em fase de desenvolvimento, ainda carece de muitas experiências e memórias para, talvez, se equiparar à sua. Mas, a criança já sabe imitar, e isso ela não aprende, é um atributo de berço, faz parte do seu instinto ou temperamento primário. Por isso mesmo poderá tornar-se um mestre da imitação, trabalhar à perfeição essa qualidade que lhe é inata. Desse modo, será capaz de copiar dos adultos a maioria das suas manias, sejam elas inúteis ou úteis.
Quando se tem medo, a primeira reação é tentar evitar a causa desse medo. E a fuga da causa do medo se torna mais importante que o medo em si. Mas, do mesmo modo que a estrutura de um prédio se apóia em seus alicerces, a fuga apenas fortalece esse medo, e esse mesmo processo acaba por se tornar a raiz, a base, da sua existência.
Podemos evitar as causas do medo, mas ele permanecerá em nós amparado pelo meio de fuga. E a fuga se torna uma proteção parcial, ilusória, enquanto o medo em si, continuará a existir, intocado, como se fosse uma coisa sagrada que devesse ser preservada, até do nosso olhar.
Quando criamos a comparação como medida para classificar coisas e
pessoas, criamos também algumas das bases do medo. Então torna-se um
objetivo natural o desejo de ser maior e melhor, mais belo, mais
inteligente, mais qualquer coisa, e também a ideia de que nosso
semelhante é um obstáculo a ser superado, vencido, destruído. E numa
disputa, inevitável é que não exista o medo. Medo de não conseguir, de
ser superado, de ser inferiorizado, da perda de qualquer coisa.
No momento que recompensamos nossos filhos com elogios fáceis, ou presentes, pelo simples fato de cumprirem suas obrigações ou deveres fundamentais, estamos também incutindo em suas mentes a barganha, a troca de favores, como o único caminho para se conseguir alguma coisa. E a criança não mais verá os outros como seres humanos iguais a si mesmo, mas como simples objetos que podem ser comprados para servir aos seus desejos ou caprichos. Jamais será capaz de respeitar alguém, nem aqueles com os quais possui vínculos, ou algum tipo de dependência.
No momento que recompensamos nossos filhos com elogios fáceis, ou presentes, pelo simples fato de cumprirem suas obrigações ou deveres fundamentais, estamos também incutindo em suas mentes a barganha, a troca de favores, como o único caminho para se conseguir alguma coisa. E a criança não mais verá os outros como seres humanos iguais a si mesmo, mas como simples objetos que podem ser comprados para servir aos seus desejos ou caprichos. Jamais será capaz de respeitar alguém, nem aqueles com os quais possui vínculos, ou algum tipo de dependência.
"O temperamento de uma criança deve ser considerado e avaliado como
fator importante no desenvolvimento de suas qualidades
comportamentais..."
O que os olhos não podem ver, a mente se encarrega de criar, eis a essência do medo psicológico...
Uma criança aprende a ter medo. Evitar uma conhecida coisa, algo que
sabidamente seja capaz de nos causar danos físicos é prudência, é uma
estratégia de sobrevivência, é o medo natural, saudável, o único que
existe. Criar mentalmente situações que presentemente não existam como
ameaças concretas diante de nós, isso é o medo psicológico, trata-se de
uma deformação na lógica do pensamento, é o medo virtual, o medo
patológico.
As bases desse medo psicológico, isso nos é ensinado, quando nossos pais nos ameaçam para cumprirmos nossas tarefas infantis, ou para nos comportarmos em casa, não fazermos barulho, ou escovarmos os dentes, ou ainda quando somos comparados, ou quando nos exigem mais do que aquilo que temos para dar.
Dessa base inicial, todas as causas de nossos medos são criadas. Da mesma forma que aprendemos a gostar de ganhar presentes, ou elogios, também passamos a temer os opostos dessas coisas. Então nos tornamos mais temerosos, mais inseguros em nossas ações, e nossa criatividade é substituída pelo desejo de imitar. Imitar é mais simples, basta seguir as ordens e direções já traçadas, basta que nunca nos desviemos das normas estabelecidas. Assim, a conformação com qualquer tipo de situação, seja ela má ou boa, é tudo o que mais desejaremos.
Por isso, o temor às críticas, e a constante sensação de que somos observados por um temível censor dos nossos movimentos, capaz de ver até o nosso pensamento, nos impedirá se sermos espontâneos, uma vez que isso pode não ser permitido por "aqueles" que estão à nossa espreita, apenas esperando o momento de nos castigar.
O conflito interior é inevitável, e lutaremos a vida inteira para nos livrar desse observador, desse cobrador insaciável e implacável, que insiste em exigir de nós conformismo, que façamos a sua vontade, nunca a nossa. Nesse cenário, onde o repetir as velhas fórmulas e padrões é mais seguro, não há como existir criatividade.
As bases desse medo psicológico, isso nos é ensinado, quando nossos pais nos ameaçam para cumprirmos nossas tarefas infantis, ou para nos comportarmos em casa, não fazermos barulho, ou escovarmos os dentes, ou ainda quando somos comparados, ou quando nos exigem mais do que aquilo que temos para dar.
Dessa base inicial, todas as causas de nossos medos são criadas. Da mesma forma que aprendemos a gostar de ganhar presentes, ou elogios, também passamos a temer os opostos dessas coisas. Então nos tornamos mais temerosos, mais inseguros em nossas ações, e nossa criatividade é substituída pelo desejo de imitar. Imitar é mais simples, basta seguir as ordens e direções já traçadas, basta que nunca nos desviemos das normas estabelecidas. Assim, a conformação com qualquer tipo de situação, seja ela má ou boa, é tudo o que mais desejaremos.
Por isso, o temor às críticas, e a constante sensação de que somos observados por um temível censor dos nossos movimentos, capaz de ver até o nosso pensamento, nos impedirá se sermos espontâneos, uma vez que isso pode não ser permitido por "aqueles" que estão à nossa espreita, apenas esperando o momento de nos castigar.
O conflito interior é inevitável, e lutaremos a vida inteira para nos livrar desse observador, desse cobrador insaciável e implacável, que insiste em exigir de nós conformismo, que façamos a sua vontade, nunca a nossa. Nesse cenário, onde o repetir as velhas fórmulas e padrões é mais seguro, não há como existir criatividade.
Por fim, uma criança pode crescer livre de todos os medos, exceto os
saudáveis, que já foram citados antes. Os pais podem cuidar disso, desde
que eles próprios sejam capazes de lidar com os seus. Quando estamos
dispostos a examinar a estrutura do medo, e não das coisas que nos
despertam esse medo, vamos descobrir que se trata apenas de um artifício
da mente, uma anomalia em seu funcionamento. Podemos chamar a isso de
falta de compreensão, o que poderia ser evitado através de explicações,
esclarecimentos qualificados, desmistificações claras, de acordo com o
nível de compreensão de cada criança.
Assim, explicar aos filhos através do esclarecimento, desde cedo, como os pais, ou adultos, criamos a maioria das causas dos seus medos, com a única intenção de controlá-los, é de vital importância, e um gesto de coragem e honestidade. Afinal de contas, existem muitas outras formas de conseguirmos disciplinar e colocar ordem nas crianças, sem o uso de tais artimanhas, mais perniciosas que ditosas.
Assim, explicar aos filhos através do esclarecimento, desde cedo, como os pais, ou adultos, criamos a maioria das causas dos seus medos, com a única intenção de controlá-los, é de vital importância, e um gesto de coragem e honestidade. Afinal de contas, existem muitas outras formas de conseguirmos disciplinar e colocar ordem nas crianças, sem o uso de tais artimanhas, mais perniciosas que ditosas.

